A saíra-sete-cores (Tangara fastuosa) é uma das aves mais deslumbrantes da Mata Atlântica brasileira. Conhecida por sua plumagem vibrante que reúne pelo menos sete tonalidades diferentes, ela também encanta com seu canto suave e característico. Neste guia completo, exploramos cada aspecto do canto da saíra-sete-cores, seu comportamento, habitat e como você pode apreciar essa maravilha da natureza.
Sobre a Saíra Sete-Cores
A Tangara fastuosa pertence à família Thraupidae e é endêmica do Nordeste do Brasil. Sua distribuição abrange os estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, com registros mais raros no Ceará. Habita florestas úmidas de baixada, bordas de mata, restingas arbóreas e até áreas de cultivo arborizadas. Alimenta-se principalmente de frutos (como os de embaúba e palmeiras) e complementa a dieta com pequenos insetos, o que a torna uma importante dispersora de sementes.
A espécie mede cerca de 13 a 14 centímetros de comprimento e pesa aproximadamente 20 gramas. O macho apresenta cores intensas: cabeça azul-turquesa, peito e ventre amarelo-ouro, dorso verde-brilhante, asas com detalhes em preto e azul, uropígio alaranjado e cauda esverdeada. A fêmea é mais discreta, com tons esverdeados e menos contraste, mas ainda assim bonita.
Características do Canto
O canto da saíra-sete-cores é um trinado fino, rápido e agudo, frequentemente descrito como “tsí-tsí-tsí” ou “si-si-si”. São notas curtas repetidas em sequência, com duração total de 2 a 4 segundos, intercaladas por pausas. Diferentemente do canto elaborado e melódico do curió ou do trinca-ferro, o da saíra é mais simples, mas possui um charme todo especial — é um som que se destaca na paisagem sonora da floresta.
Função do canto: Os machos vocalizam principalmente para marcar território e atrair fêmeas durante a época reprodutiva, que vai de setembro a março. O canto também serve para comunicação entre casais e alerta contra predadores. Fora da estação de reprodução, as saíras costumam ser mais silenciosas, mas ainda emitem chamados de contato curtos (“tchic”) quando estão em bandos mistos.
Variações individuais: Cada indivíduo pode apresentar pequenas diferenças no tom e na cadência, o que torna a identificação auditiva um desafio interessante para observadores experientes. Em algumas regiões, o canto pode ser ligeiramente mais acelerado ou mais grave, mas a estrutura básica permanece a mesma.
Como e Onde Ouvir o Canto
Para quem deseja ouvir a saíra-sete-cores cantando, o melhor horário é no início da manhã, entre 5h30 e 8h, quando a atividade vocal é máxima. Durante a primavera e o verão, os machos cantam com mais frequência e intensidade. Observe galhos altos na borda da mata, onde eles costumam se empoleirar para cantar.
Locais recomendados (sempre em áreas de conservação):
- Reservas particulares do patrimônio natural (RPPNs) na Zona da Mata nordestina;
- Parques estaduais como o Parque Estadual de Dois Irmãos (PE) e a Reserva Biológica de Saltinho (PE);
- Áreas de proteção ambiental costeiras, como a APA da Costa dos Corais (AL/PE);
- Fragmentos bem preservados de Mata Atlântica no interior de Alagoas e Paraíba.
Sempre leve binóculos, um guia de campo e, se possível, um gravador portátil para registrar o som. Evite o uso excessivo de playback (reprodução de gravações) para não estressar as aves — ouça com respeito e paciência.
Diferenças entre o Canto da Saíra-Sete-Cores e Outras Saíras
O Brasil abriga diversas espécies de saíras (gênero Tangara), e cada uma tem seu próprio repertório vocal. A saíra-sete-cores se distingue por seu trinado mais fino e rápido, ao passo que a saíra-amarela (Tangara cayana) emite notas mais grossas e espaçadas. Já a saíra-viúva (Tangara cyanocephala) possui um canto mais melodioso, com variações de tom. Aprender a identificar esses detalhes enriquece a experiência do birdwatching.
Curiosidades
- Origem do nome: “Saíra” vem do tupi saí’ra, que significa “ave colorida”. O termo “sete-cores” refere-se às cores da plumagem: verde, azul, amarelo, laranja, preto, turquesa e um tom esbranquiçado no ventre (em algumas luzes).
- Comportamento social: Fora da época de reprodução, a saíra-sete-cores costuma andar em bandos mistos com outras espécies de saíras e sanhaços, o que facilita a localização.
- Migração: Não realiza migrações de longa distância, mas pode se deslocar sazonalmente em busca de frutos.
- Expectativa de vida: Em liberdade, estima-se que viva entre 8 e 12 anos, mas dados precisos são escassos.
Preservação e Ameaças
A saíra-sete-cores é classificada como “Quase Ameaçada” (Near Threatened) pela IUCN, principalmente devido à perda de habitat — a Mata Atlântica nordestina foi reduzida a menos de 10% de sua cobertura original. O tráfico ilegal de aves silvestres também representa uma pressão, embora em menor escala do que para espécies como o curió.
Como ajudar na conservação:
- Não adquira aves silvestres sem origem legal — o comércio ilegal alimenta a captura na natureza;
- Apoie unidades de conservação e projetos de reflorestamento no Nordeste;
- Pratique ecoturismo responsável, contratando guias locais e respeitando as regras das reservas;
- Divulgue informações sobre a espécie para aumentar a conscientização.
Cada observação e registro contribui para o conhecimento científico e para a valorização da fauna nativa.
Perguntas Frequentes
1. O canto da saíra-sete-cores pode ser usado para encartar ou estimular outras aves?
Diferentemente do que ocorre com curiós e coleiros, não é comum utilizar o canto da saíra para treinar ou estimular pássaros domésticos, pois sua vocalização não possui o mesmo efeito competitivo. O ideal é apreciá-lo na natureza.
2. É difícil encontrar a saíra-sete-cores na natureza?
Sim, ela é considerada de média dificuldade de observação. Vive no dossel da floresta e pode passar despercebida. Ouvir seu canto é muitas vezes o primeiro passo para localizá-la.
3. Existe alguma época do ano em que ela canta mais?
Sim, principalmente entre setembro e fevereiro, que corresponde à primavera e ao verão no hemisfério sul.